quinta-feira, 20 de julho de 2017

Alados




Já que em mim deitaste esse encanto
Que leva minha alma e o instante
E que no paraíso me sinto
Em gloria pela manhã!
*
Já que em pleno jubilo de tormento
Em plena falta de paz
Na carência de tola esperança,
Olhaste me por dentro!
*
E “saramaguendo ainda juras...
Que nunca fizeste assim,
Na consagração de sentimentos injustos
No amparo da alma, e fim!
*
Nem forças tenho de sair de ti...
Neste cenário de deuses e olhos pagãos!
Pelo sonho vivo, alado...
Pelo amor, descubro o chão!
*
De Magela/Carmem Elias/Alados/Devoção

Não teve medo...




Não teve medo
*
Já se murmura por ai,
Que aos íntimos confiam seus corpos
E que abundam os cantos
Com tais desejos!
*
Vaso ruim!
(Veio o padre a me falar)
Há de ser suplicante, saber de vos,
Que espanto causam tais boatos!
*
De saber que teus olhos se comprazem com pecados,
Que com veludos embrulha em separado, tais ações; 
a causar mal por toda a corte,
cântaro que vive à espera desta fonte!
*
Confesse! Por que és a excessiva dimensão destes caminhos?!
Passas roupas apressadas, em relíquias, as que tu vestes?!
Não! Meu senhor. Benção eu peço... Isso a nada nos remete.
Se amar é pecado, santa emoção que não teve medo de nós dois sozinhos.
*

Desfaçatez



Tamanha era a desfaçatez
Da saudade não jurada,
Daqueles olhos copiosos e,
Daquela boca não beijada
*
Tamanha era a desfaçatez,
Que jurava que caia sobre mim
Um liquido esverdeado, transparente
E que derretia no fim
*
Pingava desde junho
Do frio consagrado pelo canto
Da saudade não jurada
E daquela boca não beijada
*
Deveria derreter a vela do coração de quem ama!
Deveria cair sobre mim aquele liquido quente!
Deveria pingar como a saudade que confessei carente...
Mas não! Tamanha era a desfaçatez.
*
Magela, Elias/Desfaçatez.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Luzes

Luzes
*
Amabilidade, delicadeza...
Encontrei em teus detalhes.
Em cada gesto que formou um novo querer!
Na leveza de teus olhos fazendo o final feliz.
*
Mais uma vez!
Não precisa ser eterno o amor...
Mas se age assim requintado,
Revirando as horas, dias e anos...!
*
Gerando esta festa do teu amor em mim,
Minha vontade será eterna.
Luzes que se acendem para desqualificar as velas!
Fogos de artifícios na docilidade de seus artifícios...!
*
Que todos os nossos desejos
Possam cortar verdades como um acoite,
Pois, cada gesto faz mai um querer,
Misturando delicadezas quando chega a noite.
*
De Magela - Poesias/Daniela Valadares Aleixo
(Direitos Reservados - Lei 9610/98)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Forte

Forte
*
Forte é tua atração
Aí vem o desejo...
Como um louco e desesperado
Nos fazer conhecer o arrependimento!
*
 Silêncio.
Uma pausa...
No ímpeto da paixão
Tudo o que havia foi consumado...
*
Agora...
O dia já vem...
Corpos despidos e olhe o que se fez!
Forte é a tua atração e começa tudo outra vez
*

De Magela - Poesias.
(Direitos Reservados - Lei 9610/98)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Picado





Picado
*
Carro...?
Já vendi
Como eu, tanque sem gasolina
Dava mais dor de cabeça que a Severina.
*
Ônibus a três e quarenta aqui, três e cinquenta lá
Tem vezes que só dá pra ir e não dá pra voltar
Nem sei, volto a pé
Ginástica de pobre, sabe como é que é.
*
Lá vem o metrô. O nome soa bonito...
Modernagem do capeta! Treco complicado
Pagar tão caro para ser judiado e desrespeitado.
E a droga só anda lotado
*
Filho volta com fome da Escola...
Acabou a merenda, diz o prefeito que culpa o governador
Seu Joaquim, que o Estado roubou, disse que o Brasil caiu e que,
Até a livraria faliu 
*
Seu “dôto” atrasou meu salário...
Disse que, de agora em diante vai pagar picado
Tempo ruim; mulher quer ir no mercado
Em casa já chego emburrado
De noite vejo a lua no céu
Moeda de prata entre as telhas quebradas
Quem dera não ter que brigar por um pedaço de pão
É o direito de viver honestamente nesse chão.
*
De Magela - Poesias e Carmem Elias.
(Direitos Reservados - Lei 9610/98)



sexta-feira, 23 de junho de 2017

E não fiquei sozinho...

Em terras distantes
Andei a procurar por alguém...
Descobri, que quanto mais distante
A solidão abriga muitas areias
*
Deserto e vazio...
É no coração assim, que sentimos
A grandeza de um gesto
De amor
*
É em terras desérticas
Que entendemos o valor de uma ânfora
E foi lá longe, que conheci...
No encontro do Deserto com o Mar...
*
Foi em teu abraço,
Molhado de saudade!
Repleto de carinhos
Que bebi o vinho da existência e não fiquei sozinho
*
Carmem Elias/ De Magela.